01 – Conto da Semana: A Árvore do Quintal


Bruno adorava suas férias na casa de sua avó. Era uma casa grande num terreno fora da cidade. Era um lugar único. Uma área imensa onde ele, junto com os primos, divertia-se bastante. Mais ainda na árvore que havia no quintal bem próximo da casa. Passavam horas pendurados nos galhos da grande e velha árvore do quintal.

Era de noite, ele já havia até começado a sonhar quando escutou um barulho na árvore lá fora. Do quarto escuro no segundo andar da casa, ele observava deitado na cama os galhos da arvore sacudirem. As folhas batiam na janela e depois paravam.

Não era vento.

Os galhos voltaram a sacudir novamente. Um, depois o outro e outro. Como se algo se movesse nos galhos…

Aquele vulto negro que apareceu entre os galhos lhe deu essa certeza. Havia algo na árvore naquela noite.

“Um macaco?” – pensou ele.

É. Provavelmente era um macaco, ele concluiu. Levantou-se da cama e foi até perto da janela. Olhou pelo vidro e não viu mais nada entre os galhos. Só a arvore balançando com o vento e as estrelas brilhando forte no céu. E, perdida entre os galhos, uma lua cheia que iluminava todo o campo atrás da casa.

Bruno abriu a janela.

Sentiu o vento frio, quase cortante, da noite campestre às 2 da manhã. Encostou no parapeito, úmido de orvalho. O vento balançou uma folhinha que estava ao seu alcance. A paz daquela noite era incrível. Esticou a mão para tocar a folha.

Quando a criatura irrompeu pela janela. Ficou em pé na moldura olhando Bruno que se estatelou no chão de susto.

A criatura tinha dedos com garras sujas e enormes, grandes olhos amarelos, uma pele lisa e brilhante, esquelético porém com músculos aparentes, uma enorme cabeça com pequenos chifres e uma boca de onde brotava dentes afiados e desaparelhados. Ela babava. Respirava forte, seu peito expandia-se e contraías-se juntamente com suas narinas. O rosto horrendo da criatura ficou encarando um Bruno lívido.

De repente a coisa pulou dentro e sumiu nas sombras do quarto. Bruno, desesperado, sem fôlego nem para gritar, arrastou-se de costas para a beirada da cama, encostou-se nela e ali ficou escutando e vendo de relance a criatura passar veloz mente pelo teto, pelas paredes, mesmo no chão. Apenas o vulto e o barulho de garras raspando a madeira.

De repente silêncio.

Bruno respirava com muita dificuldade. O choro o afogava apertado lhe a garganta. Se tivesse algum problema cardíaco já teria tido um infarto. Estava rubro. O rosto coberto por lágrimas. Soluçava baixinho quando de debaixo da cama onde se encostava os longos braços com garras afiadas surgiram, agarraram-no com força e puxaram-no para debaixo da cama.

Nunca mais se teve notícia de Bruno.

_________________________

Esse foi um dos primeiros contos de horror, inspirado pelo mestre Stephen King, que eu escrevi, e isso já faz mais de 5 anos… A partir de hoje, semanalmente, pretendo colocar um conto novo aqui no blog. Quem gosta de suspense e horror, espero que possam gastar 3 ou 4 min para ler ^^

Até a próxima.

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